quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

Intervalo

Ok, agora chega do silêncio por culpa de peças de computador quebrado e ausência de tempo para alcançar a internet...

terça-feira, 29 de dezembro de 2009

Apêndices articulados

"Os insetos possuem uma característica que os diferencia de outros animais... o de mudar de exoesqueleto de quitina, num processo chamado ecdise, ou muda, para poder crescer em volume corporal. Na verdade os artrópodes, dentre todos os filos, que o fazem. Soltam aquela "casca" já endurecida pelo tempo pela própria pressão interna a ela do novo volume do corpo do animal. Suas partes moles continuamente crescem, mas podem sofrer um retardo aparente dessa nova dimensão justamente por estarem dentro de um compartimento menor que seu conteúdo, deixando-as apertadas.

Ao atingir o limite de pressão, a ecdise se inicia com o rompimento da ecsúvia(o próprio exoesqueleto), geralmente na parte dorsal. Às vezes tal pressão é tamanha que nota-se o rompimento em mais do que uma única fenda. Desta forma, o ser espreita-se em meio à abertura espiando o mundo aqui fora com seu corpo crescido, mais vistoso, nas melhores condições de aumento, corajosamente desbravando o desafio de encarar o mesmo mundo antigo de forma diferente, mas desta vez com um corpo vulnerável. Suscetível ao mundo, por ter recentemente se libertado do modelo protetor e rijo, que o abrigava mas também impedia o crescer, porta agora seu novíssimo exoesqueleto maleável, como a pele de um bebê que ainda tem muito por esticar. Conhece os novos perigos e adapta-se às novas afrontas de forma que a circunstância define o modo de viver e a novidade ensina novos comportamentos.
O ser cresce. Por fora em tamanho, por dentro em experiência. Aprende, aumenta, melhora, vive.

Com o tempo, as necessidades vão mudando. Não há mais um esqueleto externo tão frágil, pois o que era pele nova se endureceu e protege mais, contra qualquer coisa menos ofensiva. Esse enrijecimento novamente protege o ser, mas agora em nova dimensão. De antes para cá, o ser é outro, aumentado, e com novo repertório de experiências. O processo de modelagem, em que um erro poderia significar a morte, também deu forma e solidez ao envoltório do ser, que agora o prende a um novo limite de tamanho. De certa forma cômodo pela segurança da situação , de certa forma apertado pela nova necessidade de expansão, começa a se sentir velho em um modelo que fora novo. Entedia-se com o costume do tamanho limitado de sua nova casa. Chateia-se com as mesmas circunstâncias repetitivas e ciclos diários. Sente que uma mudança poderia ser bom, e com tal novo tamanho já se apertando novamente em sua ecsúvia, reinicia o processo de mudança.

Assim seguem até seus últimos dias, sempre buscando novidades no mesmo processo monótono de ecdises.



Acho que no final, em termos de processos, de funções, de experiências, aprendizados, comportamentos, crescimentos, os nomes: ecdise, artrópodes, ecsúvia, etc... - são realmente importantes para diferenciar os filos...

...mas só os nomes o fazem!"

quarta-feira, 21 de outubro de 2009

O pouso

Hoje, na hora de tomar banho, pela segunda vez no mês encontrei uma mariposa dentro do box, depois de fechar a porta e já ter ligado a água quente. Como de costume com pequenos insetos, comecei a tomar providências para removê-la de lá sem que sofresse injúrias, nem ao menos com a água-de-sabonete que já caía ao chão. Expulsei-a ao seco e acabei o banho. Ao término, me vi de toalha ao espelho, procurando pela asa-cinzenta, que não mais estava por encontrar. Após alguns minutos de imaginação do que poderia ter dado aquele sumiço mágico no pequenino ser, olhando para todas as partes do banheiro, encontrei-a furtivamente quieta por debaixo do pedal da lixeira. Com uma sacola transparente removi-a à janela e a libertei.

E eu, voei com ela?

terça-feira, 21 de julho de 2009

Cadarços

Na vida que segue andando sem parar
Andando sem parar por entre as ruas
Sem parar por entre as ruas vazias
Por entre as ruas vazias da vida

Dos pés que dão o próximo passo
O próximo passo que pula os buracos
Pular dos buracos que espalha a poça
Espalhar da poça que molha os pés

A noite que escurece o azul do céu
O escurecer que muda as sombras
Mudar das sombras andando pelas ruas
Escorrer das sombras que faz a noite

Das pernas que levam os braços
Levar dos braços que cuidam do corpo
Cuidado do corpo para continuar amarrado
Amarrado para levar pelas pernas

Em laço de nó atado um dia aprendi a calçar
Um calçado que foi de presente dado
Como o laço aprendido em lição
Para com eles a algum lugar chegar




terça-feira, 7 de julho de 2009

Colheita

Como pode o céu o campo tocar?
Em sombras de nuvens alheias ao enfado
Nem ao menos ao coadunado do anil chegar
Espalhado e vivo, porém inanimado.

Ao ar desanima em não conseguir saltar
E morros que se flecham, quebram o cimo
Quando de distante ao alvo, pretendem delinear
Um entre, que no fim, se morde e morre em desatino

Por isso que olho e sinto que, do lado de lá
Abaixo do vento pelas planícies corredio
Há que saber que da margem de cá
Não há intento chuvoso ou sombrio

Das alturas não consegue a planta me atingir
Ou do chão esforço pouco da semente vejo
Irrigado por orvalho meu, não quis à muda omitir
Ou negar reluzente alcance de teu desejo.