domingo, 28 de setembro de 2008

Fechadura

Eu diria que sou uma pessoa normal... mas isso com certeza não é verdade!

Faço coisas que as pessoas não entendem.
Tenho razões maiores dos que as que se pode ver.
Vivo por valores supremos e tenho ideais sólidos.

Pra me conhecer, como diz o clichê, há de conviver comigo. Mas não basta estar ali do lado, tem que interagir.
E interagir significa falar e ouvir. Receber e dar atenção. Ter tanta paciência comigo quanto eu tenha contigo.

Pode pensar, e pensar, e pensar a meu respeito. Mas isso só não adianta, vc tb tem que me sentir, e sentir, e sentir, pra saber quem sou.

Muito facilmente posso passar pela sua vida, e
vc não vai nem notar quem sou...
Sou assim, intenso, pq sei que cada segundo meu, me vale mais que qualquer quantia.
Se vc estiver afim, podemos partilhar desse segundo, e fazer dele um momento de eterna memória.

Se pedir, vou falar a minha verdade, nua e crua.
Se precisar, sei também ouvir a sua verdade, nua e crua.

Caso esteja pensando que isso tudo é um absurdo, seja bem-vindo, pois vc já está na minha vida!
Caso esteja achando que aqui não há minha razão, nem emoção, está convidado prum café.
Se achar que meu jeito é estranho, que sou esquisito, voce provavelmente tem razão. Senão, também.

Contrariar, discordar, relutar, negar, diferir está dentro de
voce, e não de mim, até que voce fale.
Aceitar, concordar, aliar, afirmar, conferir está dentro de
voce, e não de mim, até que voce fale.

Comigo existe uma chave, só uma, que abre quase todas as portas:
Comunicação


Como eu disse, eu ser normal com certeza não é verdade...

quarta-feira, 24 de setembro de 2008

Bla bla bla

Chega de bla bla bla, vamos ao que interessa.
Por uns marcos onde precisa, tirar de onde limita.

Basta de pensar, é hora de agir.
Não quero mais falar, preciso mais é ouvir

Vou num instante, há um lugar e volto.
Retorno pra estar, presente nessa dádiva.

Planos e bla bla bla, bla bla bla e planos.
Seria melhor, fazer e bla bla bla.

Quem sabe assim chego lá?
Só sei que assim eu vou
Pra onde não sei
Mas vou feliz!

domingo, 14 de setembro de 2008

Gente

Andam por entre mim e você
Pessoas de todos os tipos

Chorando pra rir
Levantando pra cair
Sofrendo até não mais sentir

Andam por entre mim e você
Pessoas de todos os tipos

Andando pra não ir
Esperando pelo partir
Construindo pra ruir

Também podem ser elas
Misto de estrofe e verso

Ruindo pra esperar
Chorando pra não ir
Sofrendo pelo partir

Também podem ser elas
Misto de estrofe e verso

Levantando pra andar
Construindo pra não cair
Rindo até não mais sentir

Andam por entre mim e você
Misto de estrofe e verso

quarta-feira, 30 de julho de 2008

Um brinde! Ao jantar!

Indo jantar, percebi como é fácil gostar de alguém.

É tão fácil quanto parar de gostar subitamente. O coração é rápido e intenso, não importa a pessoa! Estamos tão acostumados com pessoas que escondem esse coração que, quando uma que mostra aparece, nos surpreendemos!

Opa, chegamos, vamos pedir o que?

Pensando no que escolher do cardápio, enxerguei que quem segura esse sentimento repentino de fome dentro da gente é a razão. Coração acelera, Razão freia. Isso! E essa última pondera, escolhe, seleciona, organiza em hierarquia, te mostra a melhor opção, e só daí a gente sabe o que quer escolher... gosto dessa aqui ó! Quero essa!

E a espera deixa a gente com fome!

Aí que entram as dúvidas sobre ter escolhido o prato certo: Isso demora demais!
Ou: Que rápido!
O que importa mesmo é que a refeição vai chegar, ou simplesmente vão te dizer que acabou aquele tal tipo de salada... A espera se torna mais importante do que o próprio objeto de consumo... a fome é grande demais!

Êba! Chegou! Hmmmm que cheiro delicioso! E que sabor!

Deliciando cada mordida a coisa fica toda boa! E aí num tem mais razão nenhuma na história... Ô delícia! Pura sensação! Bom, pra falar a verdade tem sim razão... mas é que ela concorda com a sensação tão boa e se permite gozar do momento... Ela aproveita esse “sim” dado por ela mesma e adora! Pensar pra comer? Imagina isso, pra quê? Ok, pra sair da mesa com a filosofia oriental de ainda ter 30% da fome... Mas vai saciar toda aquela vontade sim, aos poucos, tranqüila, em prestações que nunca vão satisfazer mais que 70%.

Puxa, satisfeito!! A conta, por favor?

E limpando a boca vi que o importante não era esperar com fome, ou matar a fome.
E que também não era escolher bem o prato, ou saber quando parar de comer.
Realizei que o importante é ter nesses momentos, um coração que acelera e uma razão que freia. Em pesos iguais. Humanamente equivalentes. Um ballet de branco e preto, à la Ying-Yang, dançando como quem não treina faz algum tempo, fluindo com o corpo, e raciocinando o equilíbrio.

Pagamos a conta, e fomos embora.

segunda-feira, 28 de julho de 2008

Arquitetar, há de tentar

Funciona assim:
Um tijolo aqui.
Outro do lado, nessa distancia de cimento.
Depois põe mais um.
E outro, mas tem que ser tijolo duro, ein!
Olha o cimento!
Continua assim até ter uma fileira.
Daí você põe outro em cima do primeiro, deslocado de meio tijolo, pra “amarrar” a parede e ela não cair.

Repete isso pacientemente, com um ritmo pra não perder a seqüência, afinal você quer um muro para proteção, que dure de verdade!

Pronto, agora tem uma parede de

tijolo tijolo tijolo tijolo tijolo tijolo tijolo tijolo
olo tijolo tijolo tijolo tijolo tijolo tijolo tijolo ti
tijolo tijolo tijolo tijolo tijolo tijolo tijolo tijolo.

Aí reboca e pinta com cuidado, pra cumprir com a expectativa.
Espera secar e dá mais uma demão.
Ainda outra.
Se precisar, mais uma.
Reafirma a tinta quantas vezes precisar.
Prova que é suficiente, e para.

Pronto, agora sua parede está

pintada pintada pintada pintada pintada pintada
tada pintada pintada pintada pintada pintada pin
pintada pintada pintada pintada pintada pintada.


Através dela não passa vento, não passa água, não passa luz, não passa nem pensamento!

Daí você faz mais 3 paredes como essa, se fechando num quadrado, numa caixona sem tampa.
Se ainda tiver material e disposição para aumentar essa proteção, faz um telhado!

Agora tá lá dentro, protegido das coisas do mundo lá de fora.
Não vê mais nada de lá também, nem feio, nem bonito.
O ar poluído de poeira e frescor, violências e palavras fica isolado lá fora.
Não há mais troca de nada através desses muros erguidos, e nem o sol entra pelo telhado!!

Ufa! Que maravilha! Agora tá protegido! E dá certinho, não falta nem sobra material!

...

Tá tão protegido... tanto que nada chega a você.
Nenhuma pergunta,
nenhum sentimento,
nenhuma crítica,
nenhuma companhia,
nenhum cuidado,
nenhum amigo,
nem um nada.

Não vai ver o mundo. Cadê as janelas?
Não vai interagir com os outros. Cadê a sua varanda?
Não vai receber ninguém em sua casa. Cadê o jardim?
Não vai sair pro mundo. Cadê as portas?

Essa é a hora que se sente encurralado por você mesmo, inconseqüente arquiteto da obra.

Fica desesperado sem saber por que gritar, afinal o seu pranto não vai passar pela parede.
Perde as vontades de querer sair, não há mais material para bolar um plano, ou pra fazer qualquer coisa!
E não quer mais sentir, não quer mais comer, não quer mais nem arquitetar.


Percebe que está lá na casa
Dentro
comprimido
|| Deprimido ||


Lá dentro de uma casa fechada dessas, encosta numa parede com suas mãos bem espalmadas e fecha os olhos. Sente essa parede que você mesmo construiu.

Realiza que você é a sua ferramenta.

Então observa um tijolo de cada vez:

Vê que o tijolo mais duro ainda se esfarela se você quiser. E tirando um, os do redor ficam soltos. Começa a enxergar lá fora e já entra um arzinho! Se contenta com isso, e sabe que há mais coisas que um simples ventinho.

Percebe que o cimento é a sua capacidade de manter quaisquer das suas coisas unidas. Tão dura é a parede, quanto maior sua perseverança.

Aí sai e investe algum tempo em planejar um pouco as coisas, rabiscar, fazer uma planta, aperfeiçoar, saber de suas necessidades, dar atenção a você mesmo.

E gera uma mansão dos sonhos, que tem espaço pra todos os seus queridos numa festa sensacional chamada “sua vida”.