Hoje eu bebi por voce! Brindei comigo mesmo sem achar teu copo, pelo procurado ser o meu próprio. Bebi em dobro por nós dois, e a embriaguez nem de só um me alcançou. Estou além disso, não é suficiente beber.
Sóbrio. Só, e o breu da noite de novo na sala e quarto, e cozinha(!).
Jurei tentar não sentir tua presença na falta que sinto, já tão cedo, ao adentrar minha casa. E adivinha? Nada. O nada me tomou por dentro como se quem entrasse em casa não fosse eu e sim meu vazio, meu não-eu.
Explodi em milhões de fragmentos ansiosos na minha vontade frustrada de te ver em algum lugar, fosse à minha frente, ao meu lado, ou atrás puxada pela mão que não abriu a porta. Me recompus ao primeiro passo de feliz esperança por saber que por um dia te conheci, por outro te tentei e, por mais um, conversei.
É isso, que da luz se tem a sombra e do vinho a sobriedade, do vento a calmaria e do desejo a abstinencia. É a falta, ainda presente, da permanencia constante por entre esses fragmentos religados que tenho como motivo para dizer:
O hoje, está. No ontem, estou. Amanhã, estarei?
É na incerteza das esperanças ingênuas que mora a frustração.
Mas, o que posso fazer se com a mão-na-massa me sinto assim tão ingênuo, sincero, e esperançoso? Deixar isso tudo de lado? Ok, minha razão diz que sim, mas outra parte... me impulsiona a gritar que não. E isso ainda sorrindo!
Não posso evitar meu momento de dizer: venha logo para minha vida!
Ansiosa, esperançosa, e ingenuamente, nos dois sentidos do pretexto,
Vitor
"Ser alguma coisa definida te limita. Ser nada é se negar. Ser uma não-coisa porém..." Kimio
domingo, 24 de abril de 2011
terça-feira, 19 de abril de 2011
... ... ... ... ...
O cursor fica aqui piscando, piscando, piscando... pacientemente aguardando minhas idéias, faminto por letras e palavras e na verdade o que consigo pensar é, e nada diferente, no som do vento que atravessa a janela ao meu lado. Na luz do luar que invade as frestas trêmulas da cortina e percorre as superfícies ao redor...
E aqui dentro, em algum lugar, eu revivo aquele toque do rosto aos lábios(ou seria dos lábios ao rosto?). Aquela surpresa imensa que cobre e recobre, e redescobre a superfície arrepiada de pele em mim que, com um medo tranquilo e excitante, surge sem pudor, arrependimento, ou forçada rebeldia.
E mais algumas vezes o cursor pisca... ... ... ... ... ... ...
Então me recordo da descoberta daquele tom áspero e muito sincero, cortante, agudo das palavras tão decididas em bastar com toda e qualquer declarada intenção.
Não, na verdade não foram assim, foram contrariamente deliciosas de se ouvir...
E mais outras algumas vezes o cursor pisca... ...
Pois que assim fique a fome do cursor que por tanto espera e por pouco se basta!
quarta-feira, 1 de dezembro de 2010
Intervalo
Ok, agora chega do silêncio por culpa de peças de computador quebrado e ausência de tempo para alcançar a internet...
terça-feira, 29 de dezembro de 2009
Apêndices articulados
"Os insetos possuem uma característica que os diferencia de outros animais... o de mudar de exoesqueleto de quitina, num processo chamado ecdise, ou muda, para poder crescer em volume corporal. Na verdade os artrópodes, dentre todos os filos, que o fazem. Soltam aquela "casca" já endurecida pelo tempo pela própria pressão interna a ela do novo volume do corpo do animal. Suas partes moles continuamente crescem, mas podem sofrer um retardo aparente dessa nova dimensão justamente por estarem dentro de um compartimento menor que seu conteúdo, deixando-as apertadas.
Ao atingir o limite de pressão, a ecdise se inicia com o rompimento da ecsúvia(o próprio exoesqueleto), geralmente na parte dorsal. Às vezes tal pressão é tamanha que nota-se o rompimento em mais do que uma única fenda. Desta forma, o ser espreita-se em meio à abertura espiando o mundo aqui fora com seu corpo crescido, mais vistoso, nas melhores condições de aumento, corajosamente desbravando o desafio de encarar o mesmo mundo antigo de forma diferente, mas desta vez com um corpo vulnerável. Suscetível ao mundo, por ter recentemente se libertado do modelo protetor e rijo, que o abrigava mas também impedia o crescer, porta agora seu novíssimo exoesqueleto maleável, como a pele de um bebê que ainda tem muito por esticar. Conhece os novos perigos e adapta-se às novas afrontas de forma que a circunstância define o modo de viver e a novidade ensina novos comportamentos.
O ser cresce. Por fora em tamanho, por dentro em experiência. Aprende, aumenta, melhora, vive.
Com o tempo, as necessidades vão mudando. Não há mais um esqueleto externo tão frágil, pois o que era pele nova se endureceu e protege mais, contra qualquer coisa menos ofensiva. Esse enrijecimento novamente protege o ser, mas agora em nova dimensão. De antes para cá, o ser é outro, aumentado, e com novo repertório de experiências. O processo de modelagem, em que um erro poderia significar a morte, também deu forma e solidez ao envoltório do ser, que agora o prende a um novo limite de tamanho. De certa forma cômodo pela segurança da situação , de certa forma apertado pela nova necessidade de expansão, começa a se sentir velho em um modelo que fora novo. Entedia-se com o costume do tamanho limitado de sua nova casa. Chateia-se com as mesmas circunstâncias repetitivas e ciclos diários. Sente que uma mudança poderia ser bom, e com tal novo tamanho já se apertando novamente em sua ecsúvia, reinicia o processo de mudança.
Assim seguem até seus últimos dias, sempre buscando novidades no mesmo processo monótono de ecdises.
Acho que no final, em termos de processos, de funções, de experiências, aprendizados, comportamentos, crescimentos, os nomes: ecdise, artrópodes, ecsúvia, etc... - são realmente importantes para diferenciar os filos...
...mas só os nomes o fazem!"
Ao atingir o limite de pressão, a ecdise se inicia com o rompimento da ecsúvia(o próprio exoesqueleto), geralmente na parte dorsal. Às vezes tal pressão é tamanha que nota-se o rompimento em mais do que uma única fenda. Desta forma, o ser espreita-se em meio à abertura espiando o mundo aqui fora com seu corpo crescido, mais vistoso, nas melhores condições de aumento, corajosamente desbravando o desafio de encarar o mesmo mundo antigo de forma diferente, mas desta vez com um corpo vulnerável. Suscetível ao mundo, por ter recentemente se libertado do modelo protetor e rijo, que o abrigava mas também impedia o crescer, porta agora seu novíssimo exoesqueleto maleável, como a pele de um bebê que ainda tem muito por esticar. Conhece os novos perigos e adapta-se às novas afrontas de forma que a circunstância define o modo de viver e a novidade ensina novos comportamentos.
O ser cresce. Por fora em tamanho, por dentro em experiência. Aprende, aumenta, melhora, vive.
Com o tempo, as necessidades vão mudando. Não há mais um esqueleto externo tão frágil, pois o que era pele nova se endureceu e protege mais, contra qualquer coisa menos ofensiva. Esse enrijecimento novamente protege o ser, mas agora em nova dimensão. De antes para cá, o ser é outro, aumentado, e com novo repertório de experiências. O processo de modelagem, em que um erro poderia significar a morte, também deu forma e solidez ao envoltório do ser, que agora o prende a um novo limite de tamanho. De certa forma cômodo pela segurança da situação , de certa forma apertado pela nova necessidade de expansão, começa a se sentir velho em um modelo que fora novo. Entedia-se com o costume do tamanho limitado de sua nova casa. Chateia-se com as mesmas circunstâncias repetitivas e ciclos diários. Sente que uma mudança poderia ser bom, e com tal novo tamanho já se apertando novamente em sua ecsúvia, reinicia o processo de mudança.
Assim seguem até seus últimos dias, sempre buscando novidades no mesmo processo monótono de ecdises.
Acho que no final, em termos de processos, de funções, de experiências, aprendizados, comportamentos, crescimentos, os nomes: ecdise, artrópodes, ecsúvia, etc... - são realmente importantes para diferenciar os filos...
...mas só os nomes o fazem!"
quarta-feira, 21 de outubro de 2009
O pouso
Hoje, na hora de tomar banho, pela segunda vez no mês encontrei uma mariposa dentro do box, depois de fechar a porta e já ter ligado a água quente. Como de costume com pequenos insetos, comecei a tomar providências para removê-la de lá sem que sofresse injúrias, nem ao menos com a água-de-sabonete que já caía ao chão. Expulsei-a ao seco e acabei o banho. Ao término, me vi de toalha ao espelho, procurando pela asa-cinzenta, que não mais estava por encontrar. Após alguns minutos de imaginação do que poderia ter dado aquele sumiço mágico no pequenino ser, olhando para todas as partes do banheiro, encontrei-a furtivamente quieta por debaixo do pedal da lixeira. Com uma sacola transparente removi-a à janela e a libertei.
E eu, voei com ela?
E eu, voei com ela?
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